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quinta-feira, 7 de março de 2013

Fluminense 1 x 1 Huachipato. Liderança mentirosa!

"Que dureza jogar com essa defesa", parece dizer a
expressão de Thiago Neves.       (foto: Globoesporte.com)


Outra noite frustrante, empatar com uma equipe fraquíssima não passava pela cabeça de nenhum tricolor.

Mas o Fluminense jogou bem, fez um primeiro tempo primoroso, arguirão alguns.

Será que jogou mesmo? O adversário não existe, provavelmente não conseguiria vencer o último colocado do nosso combalido estadual.

Não se trata de apenas criticar, mas é preciso realmente avaliar as intrincadas conexões que transformam um time vencedor num que perde ou empata com frequência.

Comecemos pelas palavras do Abel na coletiva:
 “- O time é o mesmo, o treinador é o mesmo, a filosofia de trabalho é a mesma... No ano passado sofríamos muito para vencer e em 2013 de repente estamos sofrendo menos. Mas a grande diferença é que ganhávamos mais do que estamos ganhando hoje. Não sei o porquê. Até esperamos alguns jogadores adquirirem melhor ritmo de jogo. O Gum, por exemplo, não foi bem contra o Vasco e diante do Huachipato voltou a jogar bem”.

Preocupa-me sobremodo o fato do nosso treinador não ter a mínima noção do porque o time não consegue mais vencer. A resposta é óbvia e não carece de maiores reflexões.

Gum esteve melhor do que contra o Vasco porque seria impossível jogar pior, mas voltou a falhar no gol do Huachipato já que teve a chance de isolar a bola antes mesmo do drible desconcertante sobre o Edinho.

Nossa defesa sempre foi fraca, os laterais, o miolo da zaga e o “cabeça de área” _ prefiro “cabeça de bagre” _ agora com o pomposo apelido de primeiro volante.

Mas foi a menos vazada e o time ganhava.

Verdade, mas por que conseguia ganhar?

Simples, porque dispunha de Cavalieri numa fase esplendorosa, de Deco, na plenitude de sua forma, um meia armador inigualável.

Dispunha também de Fred e Wellington Nem em estados de graça. Atacantes que não tomavam conhecimento de seus marcadores, qualquer que fosse o local das disputas.

Aliem-se a esses fatores as consistentes atuações de Jean e Thiago Neves, que ajudavam a empurrar o time para frente.

As habilidades desses seis serviram para aplacar as deficiências dos demais. Só um exemplo para aqueles de não tão boas memórias: o jogo do título. Dois cruzamentos e um escanteio, partidos da direita, que propiciaram o empate; a virada do Palmeiras só não veio em face de mais uma intervenção milagrosa de Cavalieri.

O quadro hoje é diferente: Cavalieri ainda é muito bom, mas não opera os milagres de outrora, Deco é um arremedo do que foi no ano passado e os demais ainda pecam pelas condições físicas.

Fato normal se for levado em consideração que quatro deles: Deco, Fred, Wellington Nem e Thiago Neves não participaram da pré-temporada, ou se participaram, o fizeram apenas parcialmente.

Além disso, os defensores literalmente “comiam a grama” e se doavam ao máximo, o que não ocorreu ainda nessa temporada.

É entrevista pra cá, entrevista pra lá, ambições de convocações para seleção e por aí vai.

Outro ponto importante é que o futebol de Wellington Nem deixou de ser solidário, não interessando a possibilidade de existir um companheiro melhor posicionado. O negócio dele tem sido tentar o gol SEMPRE, mesmo em lances sem ângulo apropriado para conclusão.

Ontem mesmo os passes para Fred foram negados em duas oportunidades claras de gol. E como dizia um rato conhecido: “a bola pune”!

Abel também não concorda com as alegações que os adversários já conhecem o estilo de jogo do Fluminense e, manifestando contrariedade, declarou:
“Não concordo. O adversário sabendo como jogamos veio de uma forma no primeiro tempo. Tivemos até jogada de gol com o Jean entrando pela meia esquerda. É muito simplista agora depois do resultado. Quem gosta de ver futebol, viu um futebol brilhante no primeiro tempo. Nós caímos um pouco, eles melhoraram um pouco, nós não conseguimos matar o jogo, e acabamos pecando.”

Impossível concordar com a assertiva do treinador, primeiro porque embora tenha jogado bem, o futebol apresentado ficou longe de ser brilhante.

Empatamos, poderíamos ter perdido não fossem dois erros de arbitragem: o carrinho com o pé sobre a bola dado pelo Edinho num atacante chileno, após uma saída errada do Digão, lance passível de cartão vermelho e o pênalti não marcado, que provavelmente daria a vitória aos chilenos.

O pior de tudo, entretanto, é que o estilo de jogo atual não passa de uma variante do “Muricyboll”, ou seja, bico para frente que os atacantes se viram.

Naquele tempo, tínhamos o Conca, que arredondava as jogadas; ano passado, o Deco. Hoje não temos ninguém e a consequência é a volta da bola, quase sempre pegando a defesa desarrumada.

Entendo, porém, que nada poderá ser feito para mudar esse estilo, enquanto tivermos defensores que não saibam sair jogando.

Abel deixou transparecer que poderá fazer mudanças na equipe e a insatisfação demonstrada com as atuações de Deco e Bruno sinaliza para as possíveis voltas de Wellington Silva e Wagner, ou seja, as alterações de sempre e que em nada têm contribuído para melhorar o estilo de jogo e a efetividade da equipe.

E é aí que aumenta a minha preocupação quanto à sequência da competição, preocupação essa que me faz retroceder a 2008, porque depois de eliminar São Paulo e Boca, o título da Libertadores era a consequência natural.

Na fase de classificação, o Fluminense já tinha batido o outro finalista, a LDU, no Maracanã e empatado no Equador.

Mas a vitória não veio e nada me tira da cabeça que por culpa exclusiva de Renato Gaúcho, o técnico que apadrinhava o seu pupilo Ygor, de amargas lembranças para a Torcida Tricolor.

A ligação entre os dois era tamanha que para mantê-la Renato teve a coragem de barrar Dodô, o melhor atacante da equipe.

O final da história é conhecido por todos: Ygor falhou nos dois jogos decisivos e a taça foi para um time muito inferior.

E o que teria Abel com isso?

A manutenção do mesmo estilo. Se por um lado Renato usou o nepotismo para manter seu privilegiado, Abel por sua vez pratica uma espécie de “nepotismo múltiplo”, tanto são os seus apadrinhados.

E, a meu ver, um dos modos que tem para manter o “status” é evitar que os substitutos melhorem suas condições físicas, barrando-os até mesmo do banco de reservas.

E aí o que temos é o de sempre: sai Bruno, entra Wellington Silva, ou pior: sai Bruno, desloca Jean; sai Deco, entra Wagner, enquanto Edinho, Carlinhos, etc. nunca saem.

A luz no fim do túnel é que agora temos um presidente que costuma posicionar-se e dar umas duras em comissões técnicas teimosas.

Quando questionou Muricy sobre a pífia campanha de 2011, o mimado treinador inventou a polêmica dos ratos e pediu o boné.

Recentemente, Siemsen deu uma chamada no Abel, sinal de que não está satisfeito com a situação atual.

Quem sabe agora, os rachões de fim de tarde não sejam abolidos, ou pelo menos minimizados em prol de treinamentos mais adequados a eliminar as deficiências do elenco e multi-nepotismo não seja reduzido?

Tomara, porque não acho que a solução passe pela saída do Abel, principalmente porque os técnicos brasileiros em sua maioria pensam da mesma forma.

A exceção fica por conta do Cuca, mas que enquanto não deixar de lado a pecha de chorão perseguido não conseguirá ganhar nenhum título expressivo.

Que o toque do Peter seja absorvido e faça com que Abel reflita sobre algumas questões, tais como:

  • Por que não dar nova chance ao Valencia?
  • Por que não escalar o Felipe no time titular desde o início, pelo menos uma vez?
  • O que falta para concluir que Wagner não é e nunca foi meia de ligação?
  • Por que desarrumar ainda mais o meio de campo, insistindo em deslocar o Jean se o clube tem no elenco mais dois laterais direitos?


REAJA FLUZÃO!


DETALHES:

Fluminense 1 x 1 Huachipato (CHI)

Local: Engenhão, no Rio de Janeiro (RJ); Data: 6/3/2013
Árbitro: Germán Delfino (ARG)
Auxiliares: Diego Bonfa (ARG) e Gustavo Rossi (ARG)
Gols: Fred, aos 30' do primeiro tempo e Nuñez, aos 25 'do segundo.
Cartões Amarelos: Carlinhos e Digão

Fluminense: Diego Cavalieri; Bruno (Rhayner, 32'/2ºT), Gum, Digão e Carlinhos; Edinho, Jean e Deco (Wagner, 24'/2ºT); Thiago Neves (Samuel, 47'/2ºT), Wellington Nem e Fred - Técnico: Abel Braga.
Huachipato: Veloso; Aceval, Labrín (Contreras, Intervalo), Muñoz e Crovetto; Nuñez, Yedro, Rodríguez (Arrué, 22'/1ºT) e Reyes; Falcone (Llanos,19'/2ºT) e Brian Rodríguez. - Técnico: Jorge Pellicer