domingo, 11 de abril de 2010

Botafogo 3 x 2 Fluminense. Mais uma vez fora da decisão!

Rafael falhou novamente em momentos decisivos e reedita a síndrome da titularidade absoluta. Um "banquinho" talvez o livre da maldição da mão de maionese.


Após novo e inesperado fracasso, o elenco tricolor e sua comissão técnica se apressaram em colocar panos quentes na derrota, justificando-a com argumentos recorrentes como falta de sorte, falhas de arbitragem, erros individuais e outras baboseiras sobejamente conhecidas pela sofrida Torcida Tricolor. Torcida que, diga-se de passagem, o clube não tem feito por merecer, pelo menos nos últimos quinze anos.

Muitas coisas são ditas, esbravejadas até, ora pelos torcedores, ora pela mídia esportiva através de seus poucos representantes tricolores.

Os erros são tantos e tão palpáveis que qualquer análise sob o ângulo que for sempre acabará acertando algumas das causas da debacle atual do Fluminense.

João Garcez, por exemplo, sem deixar de apontar o erro grosseiro da arbitragem no terceiro gol do Botafogo, culpa a incapacidade de decisão da equipe, que poderia ter resolvido o clássico ainda no primeiro tempo ou no início do final se Alan não chutasse para as nuvens a bola açucarada recebida de Fred.

Culpa também a queda de produção no segundo tempo, que se tornou uma constante nesse início de temporada em 2010. Chegou mesmo a vaticinar o fim daquele time incansável, vibrante e seguro, o saudoso "time de guerreiros".

Paulo Cesar Filho prefere apontar suas baterias para o modelo de administração, que vende Maicon a preço de banana, quando o clube não possui um substituto à altura, que gasta fortunas e quase nunca produz times campeões, que se desfaz de craques revelados em casa sem praticamente nenhum benefício para o clube. Enfatiza ainda a constante troca de técnicos e o modelo derrotado que faz o Fluminense refém do patrocinador.

Como já salientado, as causas são tantas que, de certo modo, a razão estará sempre ao lado de qualquer tipo de crítica que se faça ao estado da arte tricolor.

E como torcedor irrestrito do Fluminense que teve o privilégio de desfrutar de equipes maravilhosas, verdadeiras campeãs em todos os sentidos, de frequentar as Laranjeiras antes mesmo do nascimento dos ilustres tricolores citados, gostaria de ir mais fundo na questão e acrescentar outros pontos que precisam ser avaliados pela imensa torcida tricolor.

Não se trata de "caça às bruxas" como diz PC, mas não se pode tentar tapar o sol com a peneira e achar que tudo é culpa do modelo de gestão ou da falta de garra da equipe, como sinaliza o Garcez.

Na realidade, as participações pífias do Fluminense ao longo dos últimos anos, com raríssimas exceções, advêm do somatório de todos esses fatores, inclusive sim o fato do clube não ter tido uma comissão técnica de porte desde a saída do Abel Braga. Excluo a recente passagem do Parreira, que parecia estar desmotivado e com a cabeça na lua.

Creio também que parte da culpa cabe a nós torcedores, que com base em pouquíssimas apresentações, passamos a endeusar um menino de dezessete anos como salvação da pátria, guindado imediatamente a postulante da vaga do Maicon, esquecendo-se de que Wellington nem sequer havia sido titular do time de juniores na recente Copa São Paulo.

Não quero em absoluto defender essa diretoria, no mínimo amadora e incompetente, mas de certo modo demos a ela a desculpa para mais uma estapafúrdia negociação com prejuízos manifestos ao clube. Há muito, já vínhamos alertando sobre a parceria funesta com a Traffic, que como disse o Galeano, ao assumir o cargo de coordenador técnico do Palmeiras, "é uma empresa investidora e que por isso mesmo prima por lucrar na venda os jogadores que se destacam".

A equipe montada em 2008 foi sem dúvida a melhor do Brasil. Poderia ter tido um dos melhores meios de campos jamais vistos, formado por Arouca, Cícero, Thiago Neves e Conca. Perdeu a Libertadores e deu vexame no Brasileirão em função exclusiva de ter em seu comando uma comissão técnica megalomaníaca, fanfarrona, incompetente e interesseira. Não devemos nos esquecer de que Dodô foi barrado e Cícero deslocado para o ataque para permitir a entrada do fabuloso Ygor.

Voltando à equipe atual, não se pode deixar de considerar que do time de guerreiros faltam cinco jogadores. Maicon foi embora, Dalton, Digão, Diogo e Dieguinho barrados por atletas que até agora não acrescentaram melhoria alguma em relação ao que era apresentado. A zaga inclusive é muito inferior e não consegue sequer anular as jogadas mais previsíveis dos adversários, tanto que em apenas três clássicos tomou onze gols. Dar a titularidade a Leandro Euzébio e Cássio em detrimento de Dalton e Digão é decisão inconcebível para quem enxerga um mínimo de futebol.

Além disso, a postura de "comer a grama" é uma atitude com prazo de validade, porque qualquer equipe só consegue manter pegada como aquela em curtos espaços de tempo e geralmente em períodos críticos. O próprio Cuca já havia conseguido façanha semelhante quando pegou o Goiás na última colocação de um campeonato. Passado o vendaval, o Goiás voltou ao marasmo.

Agora será preciso, além da garra, manter o equilíbrio, adaptar o time às particularidades dos adversários, coisa que não tem sido o forte do treinador tricolor. Começar os jogos bem e acabar mal é uma característica dos times dirigidos por Cuca, desde os tempos em que era técnico do Botafogo.

No jogo de ontem, começamos mal na escalação. Durante toda a semana Diogo treinou como titular e na hora H entrou o Alan. Estava claro para quem conhece o elenco que essa teria que ser a opção, então a questão é por que deixar o Alan fora dos treinos decisivos?

A ausência de Equi González no banco de reservas eliminava qualquer opção de melhorar a criatividade do meio-campo. E o que se viu, foi a repetição do que já havia ocorrido contra Flamengo e Vasco, pois enquanto seus técnicos promoviam substituições que alteravam a postura em campo de seus times, o Fluminense continuava com a mesmice de sempre, apelando para Marquinho, Wellington Silva e André Lima, que não apresentaram nada de positivo.

Outro fato que me desagrada profundamente é a carga que está sendo feita ao erro do Alan. Alan é ótimo jogador quando cai pelas pontas e serve aos companheiros, como fez com Fred no segundo gol. Imputar-lhe a culpa, esquecendo-se das falhas da lenta zaga e dos frangos do Rafael não me parece uma atitude coerente. Renato começou a perder o pulso do elenco exatamente quando passou a adotar atitude semelhante.

PC cita o aproveitamento de Cuca para justificar sua permanência, mas de que adianta ganhar jogos sem importância e nunca chegar às finais? O que interessa é que em 2010, em cinco clássicos, o Fluminense perdeu para Flamengo e Vasco, além de duas decisões de semifinais. A única vitória sobre o Botafogo numa fase em que praticamente o jogo não valia nada é muito pouco para a grandeza do Fluminense. A realidade é que, infelizmente, nosso técnico levou banhos táticos de Andrade, Gaúcho e Joel.

Não sei se a troca de treinador resolveria os problemas do Fluminense, como pergunta PC, mas o âmago da questão não se centraliza propriamente na troca de técnicos e sim na sua escolha. Nossa diretoria amadora os tem contratado no impulso sem levar em consideração os títulos conquistados, fator fundamental para a avaliação de suas qualidades. De qualquer modo, gostaria muito que o Abel voltasse ao comando do time.

Ainda temos a Copa do Brasil, que também tem um Santos que atua com dois meias criativos e três atacantes, um Grêmio eficiente, o Atlético, de Wanderley Luxemburgo e o próprio Vasco, que já nos venceu duas vezes nesse ano.

Pode ser que dê, mas com a postura e escalação atuais vai ser dureza.

E antes de tudo FORA TRAFFIC!

(crédito da foto: globoesporte.com)

5 comentários:

Karlla Vierbrunen disse...

Não consigo deixar de concordar.
É exatamente esse o retrato de nosso tricolor.
Choro com as perdas para LDU e com a lembrança da série C,onde eu era garotinha e vi meu time perder para bombeiros.
Quero o fluminense dos meus sonhos!
ST!

PCFilho disse...

Caro Hélio,

Parabéns pela análise. Não concordo com todos os pontos, como você mesmo expôs. Mas a sua análise está bem escrita e é fundamentada.

Gosto muito do nome do Abel, mas ainda acho que a permanência de Cuca é a melhor opção para o Fluminense hoje.

Obrigado pelo prestígio aos meus textos. Fico feliz com a importância que você dá a eles.

Abraço,
PC

PS: corrigindo a Karlla, o Fluminense não chegou a perder para "o time de bombeiros" na Série C. Vencemos os dois jogos.

valeriabolis disse...

Até quando a torcida vai ficar calada ??? Esse time naum consegue ganhar clássicos !!!!! Falta técnica, falta vontade, falta direcionamento....O time de guerreiros naum existe mais !!! É um time perdido em campo,que faz qq coisa, pois nada acontece mesmo !!!! Jogadores ruins continuam sendo titulares e o técnico que até hj naum acertou o time !!!! Enfim, MUDANÇA JÁ !!!!!!!!!!! ACORDA TORCIDA !!!!!!!

Blog do Vascão disse...

Vocês foram roubados assim como nós. Lamentável.

Abraço
Jeferson
Blog Águia F. C.

pedro disse...

é bom melhorarmos esse futebol, porque se não jogarmos o que não jogamos contra botafogo, vasco e flamengo, vamos ser eliminados da copa do brasil pela portuguesa.